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Impasse: Compartilhamento de capacete pode ocasionar doenças e o não uso gerar multas

Diariamente, dezenas de moradores de Euclides da Cunha e cidades da região utilizam o serviço de mototáxi para se deslocar até o trabalho. O uso do capacete como equipamento de segurança é obrigatório e o seu descumprimento, por condutor ou passageiro, gera infração grave, multa de R$195,23 e perda de cinco pontos na carteira.

Mas, o que fazer quando você precisa usar esse serviço de transporte e o capacete não está, digamos assim, muito cheirosinho?

O site Resenha Local foi às ruas de Euclides da Cunha e conversou com diversos mototaxistas sobre o assunto. O tema é polêmico e divide opiniões. Segundo os profissionais, quase sempre as mulheres são as que mais reclamam das condições do capacete. Entre as queixas principais está o mau cheiro, equipamento molhado ou velho e o risco de contrair piolho e outras bactérias. Para evitar o uso, vale de tudo, desde a pergunta mais habitual, “tem mesmo que usar?”, a afirmações mais ousadas, “se a polícia parar eu dou um jeito, libero a moto”.

A resolução 453 de 2013 do Contran disciplina o uso do capacete para condutor e passageiro. Em um dos pontos do artigo 2º, a lei orienta os órgãos fiscalizadores a buscar nos veículos avarias ou danos que identifiquem a sua inadequação para o uso. Para o diretor de trânsito de Euclides da Cunha, Agnaldo Teles, questões de vaidade não podem ser levadas em consideração. “O objetivo é preservar a vida. O Código de Trânsito Brasileiro é bem claro, tanto faz o condutor ou o passageiro, é obrigatório usar o capacete. É inviável ele levar o passageiro, é melhor ele perder a corrida do que pegar uma autuação de R$195 e cinco pontos na carteira”, adverte.

O popular Maguila (foto) está na profissão há nove anos e diz que os casos de passageiros que querem evitar o uso do capacete aumentam no período de chuva. “Não tem como ficar cheiroso nesse tempo e a gente precisa contar com a consciência do passageiro que o uso é obrigatório”, informa. Segundo os infectologistas, ambientes escuros e úmidos são os preferidos de fungos, bactérias e outros microrganismos.

Nós questionamos a outros mototaxistas sobre a higiene do capacete e eles informaram que a lavagem é a única possível. Segundo eles, também é oferecido toca descartável, que evitaria o contato direto com a cabeça, mas ninguém opta por usar. Entre as mulheres, quem tem o cabelo pranchado evita o uso até o último minuto, informa outro mototaxista.

Para acabar com o impasse e realizar a viagem, os profissionais dizem que às vezes terminam fazendo a vontade do passageiro. “Se não deixar, a gente acaba perdendo a corrida, mas a gente não gosta”, justifica. “Quando a gente alerta sobre a importância de usar, muitos terminam colocando o equipamento, outros seguem sem mesmo. Às vezes, a gente olha para trás e a pessoa está sem o capacete”, acrescenta. O descumprimento, segundo os mototaxistas, acontece mais quando eles vão buscar alguém em um bairro. Quando a corrida parte direto do ponto de concentração, a incidência é menor.

Segundo Maguila, cerca de 900 motociclistas atuam hoje na profissão em Euclides da Cunha. Destes, apenas cerca de 250 são habilitados e 100 estão com a moto regularizada. “É um risco que eles correm, muitos são pais de família e tentam driblar a fiscalização”, conta.

Para ele, a Prefeitura não se importa muito com os mototaxistas e mira apenas na aplicação das multas. “Deveria reunir todos os profissionais e discutir uma melhor organização”. A informação é contestada pelo diretor de trânsito. “Essa informação não é verídica. Na verdade, nós não estamos nem autuando. Eu estou à frente do órgão já há cinco meses, já recebi quatro notificações do promotor público para fazer essas ações e eu não fiz nenhuma ainda porque não foi feita nenhuma ação de reedução. Nós só começamos as ações agora depois do dia 06 de junho, passamos cinco meses sem fazer nenhuma notificação”, explica Teles, que acrescentou, ainda, que o foco da Diretoria de Trânsito desde que ele assumiu é na prevenção e reeducação de motoristas e pedestres, e que a multa só é aplicada para condutor que não para com a sinalização do guarda, não providencia capacete para o passageiro depois da abordagem ou evade do local.

Para Maguila, muitos problemas enfrentados não existiriam se a categoria fosse unida e houvesse um sindicato que intercedesse por todos. Atualmente, ocorreram apenas iniciativas sem sucesso para organizar os mototaxistas na cidade.

Resenha Local

 

 

 

 

 

 

 

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